terça-feira, 20 de junho de 2023

Os ideais nazistas não morreram: foram internalizados por ações de homens de poder nas esferas administrativas públicas e privadas

 

Os ideais nazistas, infelizmente, não foram completamente erradicados após a Segunda Guerra Mundial. Acredita-se que eles ainda encontram espaço em diferentes esferas, incluindo as gestões empresariais. Essa conexão pode ser observada em movimentos neonazistas contemporâneos, como também em características semelhantes às de psicopatas presentes nas administrações corporativas.

Os ideais nazistas continuam a influenciar indivíduos que ocupam posições de poder, tanto no âmbito público quanto no privado. A sua internalização pode ocorrer de forma sutil, mas suas consequências são alarmantes. O Brasil ainda é um grande reduto do movimento nazista. Segundo a ONG Observatório do Terceiro Setor, existem mais 530 nucleos extremistas, cerca de 10 mil pessoas operando. A sensação de impunidade fez disparar o movimento nazista no país, cerca 270% em três anos. Os recentes ataques a escolas no Brasil são fruto deste movimento de extremistas. 

Os movimentos neonazistas e o integralismo brasileiro são exemplos de grupos que propagam tais ideais e buscam infiltrar-se nas estruturas empresariais para disseminar a intolerância, a supremacia racial e outras formas de discriminação.

Traços de condutopatas, como a falta de empatia, a manipulação e a busca por poder a qualquer custo, podem ser identificadas em algumas gestões públicas e privadas. Essas características refletem uma herança indireta dos ideais nazistas e podem resultar em práticas abusivas e discriminatórias no ambiente de trabalho. Empresas com influências nazistas podem adotar políticas de contratação e promoção enviesadas, favorecendo indivíduos alinhados aos padrões discriminatórios estabelecidos pelos movimentos extremistas. Isso perpetua a exclusão de minorias, prejudicando a diversidade e a igualdade de oportunidades.

A manipulação ideológica também é uma estratégia comum em gestões empresariais permeadas por ideais nazistas. Discursos de ódio, grupos discriminatórios e estímulo à intolerância são utilizados para fomentar um ambiente hostil e tóxico dentro das organizações.

De forma bem delineada, a cultura organizacional privilegia a presença de gestores com simpatia ou afinidades nazistas, permitindo a manifestação de comportamentos discriminatórios e autoritários. Isso cria um clima de desrespeito e opressão, prejudicando o bem-estar dos colaboradores. Tais ações, além de afetar a saúde mental dos servidores/funcionários, a discriminação e o autoritarismo prejudicam a colaboração, a criatividade e a produtividade.

É crucial que a sociedade esteja atenta a essas questões e engaje-se na promoção da conscientização e do combate a qualquer forma de ideologia discriminatória nas gestões empresariais. É necessário programar políticas de diversidade, inclusão e respeito, além de encorajar denúncias de comportamentos inadequados para garantir um ambiente de trabalho saudável e livre de preconceitos.

Embora os ideais nazistas tenham sido oficialmente derrotados, sua influência persiste em movimentos extremistas e traços psicóticos encontrados em algumas gestões empresariais. Reconhecer e combater essas ações são fundamentais para garantir um ambiente de trabalho inclusivo, respeitoso e livre de discriminação. A promoção da conscientização e a implementação de políticas adequadas são passos necessários para mitigar os efeitos prejudiciais dessas ideologias e construir um futuro mais igualitário e justo.

 

 

Manoel Serafim

Filósofo

Especialista em Ciências política

Membro da Academia de Letras Capistrano de Abreu

domingo, 18 de junho de 2023

A Filosofia do Sistema Penitenciário: entre o Panoptismo e as Críticas contemporâneas



Manoel Serafim

Filósofo e Especialista em Ciências Políticas


O sistema penitenciário é um tema complexo que reflete diferentes abordagens teóricas e políticas, envolvendo aspectos históricos, filosóficos e sociais. Este artigo discute a visão panóptica de Jeremy Bentham e a crítica de Michel Foucault ao sistema de punição e vigilância, destacando sua relevância no contexto do Brasil contemporâneo.


O Panoptismo de Jeremy Bentham e a Filosofia Iluminista


Jeremy Bentham, filósofo iluminista inglês do século XVIII, concebeu o conceito de panóptico como uma solução arquitetônica e social para o controle carcerário. O panóptico é projetado para permitir a vigilância constante dos detentos por meio de uma torre central, de onde os guardas podem observar sem serem vistos. Essa estrutura cria um estado de vigilância permanente, no qual os detentos, sem saberem quando estão sendo monitorados, internalizam as normas sociais, o que visa inibir comportamentos indesejados e promover a disciplina.


No contexto iluminista, a punição deveria ser proporcional ao delito, fundamentada na reparação do dano e na dissuasão de futuros crimes. Essa perspectiva de justiça retributiva, ainda presente no sistema penal moderno, combina-se com o utilitarismo de Bentham, que busca maximizar o bem-estar coletivo e minimizar o sofrimento. No campo penal, o utilitarismo justifica a punição como meio de proteger a sociedade, prevenir crimes e promover a utilidade social.


Foucault e a Crítica ao Sistema Disciplinar


No livro Vigiar e Punir (1975), Michel Foucault analisa a história da punição e a evolução dos mecanismos de controle social, destacando a transição de métodos físicos de tortura para sistemas baseados na disciplina e vigilância. Inspirado pelo conceito de Bentham, Foucault introduz a noção de "sociedade disciplinar", onde instituições como prisões, escolas e hospitais desempenham um papel central na formação de sujeitos obedientes.


Foucault argumenta que o sistema penitenciário não se limita à reabilitação, mas perpetua relações desiguais de poder. Ele critica a prisão como instrumento de controle social e sugere alternativas ao encarceramento, como políticas de prevenção e reabilitação que promovam a reintegração social.


O Sistema Penitenciário Brasileiro: Entre a Teoria e a Realidade


No Brasil, o sistema penitenciário reflete uma combinação das filosofias iluminista e utilitarista, mas enfrenta desafios estruturais que comprometem sua eficácia. Desde a criação da Casa de Correção, em 1834, o país adota princípios inspirados no modelo panóptico, com resultados insatisfatórios. O sistema é marcado por superlotação, violência, e condições precárias, o que o torna incapaz de ressocializar os detentos.


Além disso, o crescimento acelerado da população carcerária brasileira – o maior do mundo – evidencia a falência de políticas públicas focadas nos efeitos, e não nas causas do crime, como desigualdade social, falta de oportunidades e ausência de programas efetivos de reabilitação.


Conclusão


A perpetuação do modelo penitenciário vigente demonstra que o problema do crime no Brasil é antes de tudo político, e não apenas criminal. A solução exige um redirecionamento das políticas públicas para atacar as causas estruturais da violência e implementar estratégias que promovam prevenção, reabilitação e reintegração social.


Até quando o Brasil continuará apostando em um sistema que não apenas falha em resolver o problema, mas também alimenta o ciclo de desigualdade e violência? A resposta está em reconhecer que o debate sobre o sistema penitenciário não é meramente técnico, mas profundamente político e social.

sexta-feira, 16 de junho de 2023

Brasil: uma democracia em frangalhos



 Na Grécia Antiga, o governo democrático surgiu como uma forma de lidar com os conflitos sociais, estabelecendo tribunais e instituições públicas para tomar decisões. Isso separou o poder político das autoridades tradicionais, como o chefe de família, chefe militar e chefe religioso. Aristóteles observou a divisão social entre ricos e pobres e defendeu a justiça distributiva e participativa como elementos essenciais de uma sociedade justa.

No contexto atual, as sociedades modernas apresentam desigualdades semelhantes às observadas por Aristóteles. O Brasil, em particular, é um país historicamente desigual, com uma elite insensível aos problemas sociais. A concentração de poder político e econômico nas mãos de uma minoria conservadora é apontada como um entrave ao desenvolvimento nacional. Para reduzir essa desigualdade, é necessário um pacto social entre a elite política e econômica, a fim de superar visões coloniais e reprodução de valores ideológicos que perpetuam o poder nas mãos de poucos.

A participação política é essencial para o desenvolvimento econômico e social, porém, nas sociedades periféricas como o Brasil, o controle dos grandes capitais dificulta essa participação. É defendido que a sociedade busque representantes comprometidos em diminuir a desigualdade social e econômica, rompendo com o establishment político e econômico. Um Estado Progressista e Social de Direito é proposto como uma forma de assegurar o bem-estar e um futuro melhor para os cidadãos, promovendo o Estado providência e previdência.


Manoel Serafim

Filósofo

Especialista em Ciências Políticas

quarta-feira, 7 de junho de 2023

O que é, e por que precisamos saber...


A Ciência Política busca compreender e analisar as dinâmicas do poder, do governo e da tomada de decisões em sociedades humanas. Por toda a história, autores clássicos, medievais, modernos e contemporâneos têm contribuído para a formação e o desenvolvimento dessa área de estudo. Neste texto, exploraremos a ideologia desses principais autores em cada período.

No período clássico, destacam-se filósofos como Platão e Aristóteles. Platão, em sua obra "A República", defendia a ideia de um Estado ideal, no qual o governante seria um filósofo-rei, capaz de conduzir a sociedade em direção ao bem comum. Aristóteles, por sua vez, enfatizava a importância do Estado como uma comunidade política que visava o bem-estar dos cidadãos. Para ele, a virtude política era essencial para a boa governança. Na Idade Média, um importante autor é Santo Tomás de Aquino, cuja obra "A Suma Teológica" abordava a relação entre a fé e a razão. Aquino defendia a ideia de que o poder político deveria estar submetido à moralidade e à lei natural, e que o governante tinha a responsabilidade de promover o bem comum e proteger a justiça. No período moderno, o filósofo inglês Thomas Hobbes se destacou com sua obra "Leviatã". Hobbes acreditava que o ser humano era essencialmente egoísta e que o Estado deveria ser forte e centralizado, para evitar o caos e a guerra de todos contra todos. Ele defendia a soberania absoluta do governante como forma de garantir a ordem social.

Já no contexto contemporâneo, temos pensadores como John Locke e Karl Marx. Locke, em sua obra "Segundo Tratado sobre o Governo Civil", defendia a ideia de que o poder político deveria ser limitado e que os direitos naturais dos indivíduos, como vida, liberdade e propriedade, deveriam ser protegidos pelo Estado. Ele também enfatizava a importância do consentimento dos governados. Por sua vez, Marx, em sua obra "O Manifesto Comunista", analisava a sociedade a partir da luta de classes entre a burguesia e o proletariado. Ele acreditava que a política era uma expressão das relações de poder econômico e que a transformação social só seria alcançada com a superação do sistema capitalista.

Em resumo, a Ciência Política se baseia nas contribuições de diversos autores ao longo da história. Desde os clássicos, que buscavam o bem comum e a virtude política, passando pelos medievais, que relacionavam política e moralidade, até os modernos e contemporâneos, que exploraram questões como o contrato social e a luta de classes. O estudo dessas ideologias é fundamental para compreendermos as diferentes perspectivas sobre o poder e o governo, e para refletirmos sobre os desafios e possibilidades da política em nossa sociedade atual.


Manoel Serafim

Especialista em Ciências Políticas

Filósofo




sábado, 27 de maio de 2023

Bolsonaro e Collor: duas faces da política da crise

1 Contexto político da campanha 

Em 1989, o Brasil viveu um ano de grande esperança política com a abertura efetiva do processo democrático. Acontecia naquele momento a primeira eleição direta desde 1960, com eleição de Jânio Quadros, e após um período de 22 anos de ditadura civil-militar no país. Era tão grande a efervescência política a qual vivia o Brasil que, para concorrer à presidência, havia vinte e seis candidatos na disputa. Segundo as pesquisas, dois candidatos disputam a preferência do eleitorado: Fernando Collor de Melos e Luiz Inácio Lula da Silva. O primeiro lugar, segundo o Datafolha, estava o liberal Fernando Collor, apresentava-se como arauto da moral e único candidato capacitado para destravar a economia, controlar a inflação e alinhar o país à modernidade da administração pública. Apresentava-se - como ele mesmo se autodenominava -, o Caçador de Marajás - quando era governador de Alagoas - , e representante da nova forma de fazer política. 
Interessante notar que, não obstante o candidato se apresentar como novo na política, gestor e não político, sua família era formada de figuras tradicionais da política brasileira: seu avô foi assessor de Vargas e deputado federal; seu pai governador, senador, e o próprio Collor tinha sido deputado federal, governador de Alagoas e prefeito de Maceió, sendo portanto, nomeado ainda da Ditadura. Sua família liderava grupos empresariais, os quais detinham o oligopólio da imprensa alagoana. 
Lula da Silva, retirante nordestino em 1956, era então deputado federal por São Paulo, político ligado a movimentos sociais e sindicalista dos funcionários da metalúrgica do ABC paulista. Político conhecido por lutar contra a ditadura militar, líder partidário e fundador do Partido dos Trabalhadores (PT) no ano de 1980. Defendia que o governo brasileiro fosse gestado por ideais socialistas, no qual o Estado dividisse melhor as riquezas do país entre as classes trabalhadoras e buscasse, com isso, justiça social a milhões de brasileiros das diversas camadas sociais. 

 1.1 Collor verus Bolsonaro 

Embora diste de quase trinta anos de diferença, suas campanhas conservam mais semelhança do certamente muita gente pensa. Pois bem: os dois se apresentavam como únicos a congregar esforços para mudar o país para melhor e se apresentaram como antissistema e combatentes ferrenhos da corrupção. Da mesma forma, seriam conservadores na religião, na família tradicional e anticomunistas; defendiam o modelo neoliberal como sendo o melhor a ser seguido, o encurtamento do Estado e foco no capital estrangeiro. Eram Patriotas os quais buscavam nos símbolos da bandeira o ideal de conservador-cidadão. Collor usa o verde-amarelo para pintar o rosto simbolizando o patriotismo; Bolsonaro, igualmente, o fez com as cores da bandeira. Não obstante, sendo pessoas já conhecidas no cenário político nacional, apresentavam-se como antisistema e outsiders. Como já citado, Collor era pessoa com experiência no parlamento nacional, no executivo estadual e municipal, e Bolsonaro foi deputado federal pelo Rio de Janeiro há mais de 28 anos. 
Na disputa com o mesmo adversário Lula, apregoavam que tal candidato era comunista e sua política antiquada levaria o país à bancarrota. Nos dois casos, diziam que Lula instalaria o comunismo no Brasil, apropriar-se-ia das propriedades privadas, bem como sequestro da poupança de brasileiros. 
É fato que, tanto Collor em 1989, e Bolsonaro em 2018, caíram no gosto da elite. Rapidamente foram eleitos como candidatos preferidos dela e de grandes empresários de diversos setores da economia. Da mesma forma, foram os dois candidatos a angariar apoio dos grandes veículos de comunicação do país, principalmente as emissoras de televisão, a exemplo da Globo, a qual deu apoio direto à Collor e indireto à Bolsonaro. No campo do discurso político, é muito fácil dizer que Bolsonaro é uma cópia ruim de Collor. O primeiro, fala com muita dificuldade em articular ideias e muito limitado no vocabulário. Collor, economista por formação e, por atividade em grupo de imprensa, dominava muito melhor o discurso político e conseguia se sair facilmente em discursos mais improvisados e ou quando afrontado discursivamente. 
Por outro lado, o que temos de novo na campanha de Bolsonaro é a Internet, que de certa forma, era suprido à época de Collor pela televisão como veículo de massa. Dentro deste mesmo contexto de internet, a web.3 traz consigo uma grande possibilidade de interatividade proporcionado pelas redes sociais: whatsapp, instagram, youtube, twitter, facebook etc. É justamente neste meio que Bolsonaro mais se destaca de Collor e de seu adversário Lula em 2018. Nestes espaços, as chamadas fake news - que sempre estiveram presentes no campo político - , transformam-se em ferramenta política de ataques ao adversário e criam situação paralela à própria realidade factível. Antes, porém, o que mais aproximava ambos os candidatos, inexoravelmente, era o projeto político de satisfazer os desejos da elite econômica. 
Via de regra, é a elite que escolhe os candidatos.Também é importante salientar que tais crises quase sempre são geradas pela própria elite, com suas decisões políticas, e sendo ela também, "responsável" indicar pessoas para resolvê-las. Neste sentido, o político responsável por angariar competência redentoristas, seja em carisma personalístico, seja religioso, ou atributos políticos, são os indicados. Max Weber em seu livro sobre Ciência e Política, diz que tanto as massas quanto a pequena elite têm os olhos voltados para os homens importantes cujos nomes lhe são familiares. Por outro lado, desconfiam da ambição de um desconhecido, ao qual só lhe dá confiança depois de haver triunfado definitivamente. Isso é recorrente em toda a história política da humanidade, independente do regime que a governe. Aconteceu no período napoleônico quando da crise da França, o qual, em novembro de 1799, ocorreu o Golpe de 18 de Brumário. " e, depois disso, Napoleão, começou a promover reformas na economia, no sistema de justiça, na educação, no governo, entre outras áreas de grande importância para o país.". Nos mesmos contextos da crise, na Itália fascista com Mussolini; na Alemanha com Hitler e tantos outros. 
 
2.Conclusão 

Após exposição dos argumentos listados, inferimos que em momentos de crises é bem comum aparecer políticos advogando competência para resolver todos os problemas enfrentados em períodos de crise política. Normalmente, criam casos de sociais no sentido de estabelecer um diálogo, uma saída para os momentos de agitação e convulsão social. No caso de Collor, o político ficou conhecido e estabeleceu diálogo forte com a questão do Caçador de Marajás, ou seja, o homem responsável por equilibrar as contas públicas e realocar os recursos aos mais pobres. Bolsonaro, como homem cujo maior princípio era a honestidade, a pátria, a família tradicional e a religião, elementos base e diametralmente oposto ao sentimento antipetista criado pela imprensa e jurisdicionado na figura da Operação Lava-jato. O Salvador da Pátria, a despeito do interesse da classe de trabalhadores, surge com trato discursivo no sentido de falar às massas, mas com objetivo de interesse na classe de poder econômico. 
Há muito tempo, as pesquisas políticas mostram que o fator econômico numa eleição sempre tem maior peso na hora de decidir o voto. Desta forma, tais candidatos são criteriosos na hora de programar os discursos políticos. Weber no mesmo livro supracitado, publicado há mais cem anos, relata com muita temporaneidade que o povo elege o fator econômico em primeiro lugar, seguido do conservadorismo (família, religião, tradição) e por fim, opiniões tradicionais recebidas dos familiares. 
Críticas à parte, é fato que os quatorze anos de governo de esquerda no Brasil foi marcado por grande desenvolvimento entre as classes tradicionalmente desprestigiadas, pelo grande investimento educacional, na construção civil, no funcionalismo público que viveu seu apogeu, investimento em grande escala na linha de crédito, na aquisição de bens duráveis, na ampliação de direitos sociais etc. Isso teve um efeito diretamente negativo nos planos da elite, no status quo, no establishment. Portanto, a ordem ideológica, econômica, política e legal que constitui a sociedade dominante, tinha que voltar ao plano do conservadorismo social. 
Para fazer levante a este processo estatisticamente improvável, foi necessário um impeachment, cujo fato jurídico era uma espécie de empréstimo bancário nas contas da União que, depois, a própria CGU negou haver irregularidades na aprovação das contas da presidência da República. Ato contínuo, foi ainda necessária a Operação Lava-jato, no sentido de "banir a corrupção nos governos petistas", da qual resultou na prisão por quase dois anos do então ex-presidente Lula, que depois o STF anulou por diversos vícios nos processos e parcialidade do juiz Sérgio Moro. 
Nos casos acima, a subsunção do Direito, isto é, o que seria a aplicabilidade do direito, das normas em caso concreto, deixa claro qual fator valorativo as instituições do poder judiciário têm, quando das decisões judiciais entre as classes de poder. Segundo o professor de Filosofia do Direito, Alysson Mascaro, nada do direito é olhar a norma tal, e portanto, aplicar a subsunção àquela norma. O Direito não funciona assim, pois quem pensa assim estaria no mundo da fantasia. A decisão do jurista está sempre ligada a fatores políticos, da dinâmica das relações sociais, das dominações e pressões ideológicas.Todo poder é poder político, inclusive o poder judiciário. 

Por Manoel Seraim 
Filósofo 
Cientista político

quinta-feira, 20 de abril de 2023

O capital pós-moderno

O mundo tá meio louco, Tudo muito apressado, A vida muda tão rápida, Que de multicobranças e tarefas, O homem ficou meio abobado; De tanta velocidade, é certo que causado, Tanta loucura que vemos, E até em nossas escolas esses loucos têm chegado; Isso mesmo começou com a tal revolução, Da ciência, dos ingleses, Que vem afetando o cérebro, o corpo e o coração, É justamente isso, no capital de hoje, que tudo isso é traduzido em uma autoexplosão. Sendo essas loucuras : (ansiedade, TDAH, intolerância e individualismo extremo), um resumo de uma doença da mente que, como bem diz o filósofo, é a doença neuronal.

segunda-feira, 17 de abril de 2023

Sindicato e a panela de pressão: uma analogia perfeita

Sindicato e a panela de pressão: uma analogia perfeita A criação de sindicato no Brasil está diretamente ligada com ampliação dos partidos políticos e a ampliação da vida política brasileira, principalmente com a criação dos partidos de massa, oriundos das camadas de trabalhadores. Formalmente, foram instituídos no Brasil na era Vargas, com a Lei sindical de 1931 (Decreto 19.770) e, com os vários processos de ruptura democrática, houve a proibição de funcionamento dos sindicatos e partidos de massa, com retorno na década 1980, durante a redemocratização. 
Como entidade política, são um espaço de disputas de interesses materiais e políticos, portanto, atores importantes no cenário econômico e político. Para Antunes (2002), o sindicato é consequência dos conflitos de classes, a partir do esforço da classe operária contra a dominação do capital e a exploração do proletariado. Eles fazem parte da Sociedade Civil Organizada e exercem funções de pressão política para obter seus objetivos. Resumidamente, o Estado se organiza em três segmentos sociais: o primeiro setor (Estado), cujo objetivo maior é o bem comum; o segundo setor (Empresas), cujo objetivo maior é o lucro, e o terceiro setor, (SCO), isto é, ONG, comunidades epistêmicas, sociedades sem fins lucrativos, entidades de classes, sindicatos. A SCO não faz parte da organização interna do Estado, sendo juntamente um contraponto entre este, e as entidades organizadas e os cidadãos. 
Compreendida a organização humana como arena de poder, o Interesse é algo precedente em qualquer ação. Sempre, de alguma forma, estamos pensando em adquirir vantagem: a dissuadir alguém de algo, ou buscar algum benefício. Aristóteles dizia que o homem é um animal político porque ele tem a logos, a palavra, e transfere isso em interesse, numa dialógica-política. 
Os sindicados representam grupos de pessoas que atuam em direção a um objetivo, compartilhando interesse comum. Para alcançar esses objetivos, conforme Pasquino (2010, p. 115), há seis recursos que interferem nas probabilidades de sucesso de uma organização de interesse: número de participantes, recurso financeiro disponível, representatividade, qualidade e amplitude dos conhecimentos utilizáveis, colocação estratégica no processo produtivo e nas atividades sociais essenciais ao funcionamento do sistema político e facilidade de intervenção. Às vezes, nem sempre a força sindical é suficiente para atingir os objetivos, sendo, portanto, necessário grupo de pressão externa. Esses grupos de pressão (partidos políticos, ONG, imprensa, o judiciário, comunidades epistêmicas etc.) atuam, em conjunto com os grupos de interesse (sindicato), na mobilização, na demonstração, na solicitação e intermediação, com foco na conquista dos objetivos. 
Aqui, podemos fazer a analogia entre a panela de pressão e o sindicato. A panela de pressão tem nos seus equipamentos o equilíbrio para melhor rapidez no cozimento dos alimentos, de forma que a válvula controla a temperatura ideal para o bom funcionamento. Caso não haja a pressão necessária, não há o cozimento rápido; caso haja pressão demais, a panela pode explodir ou algo pode mudar os objetivos. Assim, para atingir objetivos, sindicatos devem planejar ações e metas, investir na formação política, atingir a pressão adequada e focar no interesse da coletividade.

Romper a Bolha Informacional: por uma Consciência Crítica no regime da Informação

Romper a Bolha Informacional: por uma Consciência Crítica no regime da Informação Por Manoel Serafim – Filósofo e Especialista em Ciências P...