sábado, 27 de maio de 2023
Bolsonaro e Collor: duas faces da política da crise
quinta-feira, 20 de abril de 2023
O capital pós-moderno
segunda-feira, 17 de abril de 2023
Sindicato e a panela de pressão: uma analogia perfeita
sábado, 15 de abril de 2023
Política e internet
segunda-feira, 27 de março de 2023
A visão ética da Idade Média e Renascimento, em Santo Agostinho e Pico Della Mirandola
A consciência moral proposta pelo filósofo
cristão Santo Agostinho - Agostinho de Hipona (354-430 d.C.) - está ligado
diretamente à separação do homem pecador de Deus supremo, e essa conexão se
fará através da graça divina. Santo Agostinho propõe para sua teoria filosófica
uma releitura de Platão, e cria o conceito de livre-arbítrio com três conceitos-chave.
O autor estabelece: o Mal físico, por meio de doenças, pragas; o Mal
metafísico, cometido por limitações da condição humana, e o Mal moral, fruto do
mal de nossas escolhas erradas.
Desta forma, o homem tem consciência sobre
seus atos e escolhas, porém essas escolhas devem aproximar o homem de Deus.
Portanto, para exercer o bem, o homem tem duas condições: a graças de Deus e o
livre-arbítrio. Sem graça não há o bem; sem o livre-arbítrio não seria possível
à escolha do bem. Assim, Deus dá à graça e a possibilidade de o homem ser bom,
através de ações pautadas na escolha da fé.
Por outro lado, o pensamento filosófico do
Renascimento tem estabelecido outros parâmetros éticos e morais do ser
humano. O homem é definido como meio de
equilíbrio de todas as coisas. Com essa visão, para o brilhante jovem
renascentista Pico Della Mirandola (1463-1494), o homem, na criação divina e
sua queda pelo pecado, tem adquirido dignidade através do exercício do
livre-arbítrio. Portanto, para esse pensador, deveria ser estabelecida uma nova
ordem na fé cristã, a qual deveria dar maior expoente na capacidade
intelectualista do homem. Neste sentido
e sem negar a fé, existe maior diferença entre a Ética da Idade Média, na qual
o ser ético - este totalmente alinhado ao ser divino, aos dogmas, - com o que é
colocado na visão renascentista. Na
visão de Pico Della Mirandola, a liberdade do homem, com o poder de escolha,
estabeleceu-se maior independência do homem ao poder religioso.
O tema proposto neste ensaio se encontra
diretamente ligado aos preceitos filosóficos e morais da Idade Média (V e XV) e
ao período do Renascimento cultural, século XIV e o fim do século XVI.
Abordaremos duas charges THAVES, Bob. Frank & Ernest, e Calvin e Haroldo: e
foi assim que tudo começou, em que são discutidos: a consciência moral e
autonomia para deliberação. Na primeira tirinha em que um interlocutor
perguntou ao outro se este segue sua consciência moral, e obtendo como
resposta: Não...meu senso moral tem um seletor de chamadas...podemos dizer,
dentre outras possibilidades, que a voz da consciência cede lugar às variadas
possibilidades de escolhas e liberdades do homem renascentista.
Na segunda tirinha, em que há questionamentos
sobre a crença no destino e na predestinação da vida humana, há também uma
satirização sobre a condição humana colocar por Deus. Isto é, na visão
cristão-medieval o homem teve seu destino já determinado por Deus e só a graças
deve mudar isso. Dessa maneira, o cristianismo medieval pressupõe que o erro é
parte da natureza humana em decorrência do caráter imperfeito da própria
vontade humana. E para resolver esse problema, a Filosofia Medieval recorreu à
fé como resposta central: Deus, em sua misericórdia, prometeu dar a redenção
aos homens por meio de Cristo, para salvá-los de sua condição maculada.
Por fim, tais reflexões sobre Ética e Moral
no período Medieval e Renascimento, colocam-se como ponto de inflexão de um
novo momento de ordem e de pensamento filosófico, com as visões focadas no
homem neste período de transição. Esse novo olhar deve seguir de pano de fundo
para as mudanças mais profundas com o advento do Iluminismo.
terça-feira, 21 de março de 2023
Direitos Humanos para quê?
Afinal, Direitos Humanos para quê? Qual a relação desse Direito com o Estado,
Capitalismo, com a Educação, Ética? No Brasil, falar em Direitos Humanos é intempestivamente
falar em Direitos para pessoas que cometeram crimes, é falar de algo totalmente
pejorativo. Abordaremos o assunto com amparo em filósofos e com a ciência
política, cujo lócus terá uma dimensão histórica e, principalmente, filosófica.
O conceito de DH na perspectiva filosófica está alicerçado em princípios os
quais definem a própria condição humana. Para Kant (1980), o homem deve ser
considerado como fim em si mesmo. O homem é um ser cuja existência constitui um
valor absoluto, ou seja, nada do que existe no mundo lhe é superior ou
equivalente. A dignidade é um valor incondicional (ela deve existir
independentemente de qualquer coisa), incomensurável (não se pode medir ou
avaliar sua extensão), insubstituível (nada pode ocupar seu lugar de importância
na nossa vida), e não admite equivalente (ela está acima de qualquer outro
princípio ou ideia).
De um ponto formal, o conceito de DH está
ancorado na CF de 1988, em seu Artigo 5º, caput, que garante a todos os
brasileiros a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à
segurança e à propriedade. No Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), e
no Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH), em 2006, que prevê
uma série de políticas públicas no âmbito educacional. Desta forma, o CNDH e PNEDH são instrumentos
sociais para enfrentamento por busca de Direitos em termo lato sensu, no
sentido de promover a dignidade da pessoa humana.
Eticamente, os direitos humanos devem ser
encarados como fundamento da responsabilidade a priori, sendo reconhecidos como
DH inseparáveis da inviolabilidade da dignidade, indivisibilidade e
universal. Assim, viola-se quando, por
exemplo, deixa-se alguém com fome, sem educação, quando se faz torturas, com
prisões ilegais etc. Outro fator ético muito importante na relação do DH é
indivisibilidade dos direitos e a universalidade, pois não adianta o ser humano
ter direito à educação e não ter direito à comida; não adianta ter direito a
votar e não ter direito de ir à escola; não adianta ter direito a professar sua
fé e ser torturado no outro dia.
Através do racionalismo, a vida humana foi
totalmente transformada por revoluções, de tal sorte que as relações humanas
também foram abaladas. Hodiernamente, conforme sociólogo polonês Zygmunt
Bauman, (1925-2017), vivemos a Sociedade Líquida, sociedade dominada pelas
descrenças absolutas em valores que outrora eram tidos como inquestionáveis e
incomensuráveis. Tal posicionamento tem trazido maior problema para sociedades,
porquanto a própria descrença absoluta no homem, na organização política e com
o poder, de fato abala ainda mais a persecução de efetivar Direitos.
Dentro de uma corrente mais otimista na
relação de poder e da política, o sociólogo estadunidense Talcott Parsons
(1902-1979) defendia que, quanto mais educada uma sociedade for, mais ela terá
condições de se autorregular e evoluir em melhorias e condições sociais.
Acreditamos ser a educação o maior problema de países mais pobres, o que gera
todos os outros. A educação, em sentido geral e continuada, leva a sociedade
para os debates políticos e gera responsabilidade política nos cidadãos.
No caso do Brasil, a política pública
brasileira deve estar alinhada, assim como foram as maiores potência do mundo,
ao Estado Social de Direito, cujos valores estariam no Estado providência,
assegurando o bem-estar da sociedade e em desenvolver laços para assegurar um
bom futuro aos cidadãos e garantir Direitos Humanos.
Por fim, e por considerar o problema do nosso
país ser, antes de quaisquer outro, uma decisão política, ou seja, de políticas
públicas, o Brasil deve decidir para qual lado deve caminhar, seja numa visão
mais conservadora ou menos conservadora em sentido de governança do Estado e,
portanto, na garantia de efetivar Direitos Humanos aos seus cidadãos.
Por Manoel Serafim
Filósofo e escritor
quinta-feira, 2 de março de 2023
O psicopata e sua interface com o poder
O psicopata e sua interface com o poder
Quando se fala em psicopatas normalmente se associa a criminosos terríveis cujas vítimas são mortas de maneira brutal e sem explicação aparente. São geralmente associados a crimes sexuais e contra criança e adolescente. São imagens romantizadas trazidas pelo cinema, pois na realidade, as ações dos indivíduos com condutopatias são mais recorrentes nas atividades de vida social do que imaginamos.
Segundo o professor, escritor e psiquiatra forense Guido Palomba, a psicopatia e seus termos comuns (psicopata, sociopata, e mais como ele mesmo gosta de denominar - condutopata) são pessoas cuja conduta está alheia a valores éticos e morais. Os psicopatas nascem, crescem, desenvolvem-se e morrem assim, sendo incurável e orgânica. Os condutopatas são limítrofes entre o doente mental e a pessoa de conduta normal. Essa área de fronteira, segundo Palomba, é porque, diferente do doente mental, que age com fugir da realidade, o condutopata age com consciência para chegar a seus objetivos.
Outras características dos psicopatas são a ausência de arrependimento, sentir-se superior, normatizador de tudo, criar máscaras sociais, manipuladores, sem piedade, compaixão e altruísmo. São indivíduos híbridos - como os morcegos que têm asas, voam e não são pássaros; têm pelos e não são poríferos -, e são capazes de enganar a muitos.
Nas cadeias sociais, eles são ávidos pelo poder e usam estratégias para pavimentar sua chegada lá. A cadeia de comando é fascinante para eles, são terrivelmente nocivos e aonde chegam causam grandes estragos sociais. Como estratégia de poder, Hitler fundou o nazismo; Mussolini, o fascismo etc. O exemplo da Segunda Guerra, na qual Hitler chegou ao poder e matou mais 58 milhões de pessoas no mundo, é clássico para ilustrar a ação de uma mente psicopata. Eles sempre buscam estratégias para chegar ao poder, e quando chegam, o ônus quem paga é o subordinado, uma vez que, no exercício extremo de sua personificação, querem a perpetuação no poder.
Aqui fazemos um parêntese para dizer que, quando em ação, tanto o sociopata como o Poder tem via de mão dupla, isto é, cada um ganha um pouco na ação. É bem verdade que o Poder, quando lhe convém, adora o psicopata. Vejamos o que fez Hitler!!! Eles são bem-vindos quando há grandes convulsões sociais, políticas e, principalmente, econômica. A fonte principal do Poder é mandar a outrem a execução da ordem, ação, muitas vezes ordens duras e sem compaixão. É justamente aqui que ele pode contar com a figura do psicopata, justamente aquele que vai agir a rigor, sem medo de ser feliz e sem se preocupar com valores éticos e morais. Nesse jogo de peso e contrapeso, ora a Estado/Corporação ganha com ações duras sobre seus dominados, ora o psicopata ganha fazendo seus desejos mais intimistas. É possível que nas escolhas de chefias e lideranças de instituições/empresas, determinadas características sejam levadas em conta para escolher lideranças.
Ao final desta pequena exposição, será possível identificar facilmente um psicopata ou condutopata … A resposta, segundo a psiquiatria, é não! Para identificar essas figuras humanas tóxicas é preciso estudar seu histórico de vida e suas ações. A população mundial tem a média de 2% de psicopata, portanto, cuidado, você pode estar ao lado de um psicopata!!!
Por Manoel Serafim
Filósofo, escritor,
Membro da Academia de Letras
Capistrano de Abreu
Especialista em ciência política
Romper a Bolha Informacional: por uma Consciência Crítica no regime da Informação
Romper a Bolha Informacional: por uma Consciência Crítica no regime da Informação Por Manoel Serafim – Filósofo e Especialista em Ciências P...
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Manoel Serafim Filósofo e Especialista em Ciências Políticas O sistema penitenciário é um tema complexo que reflete diferentes abordagens te...