domingo, 13 de abril de 2025
Romper a Bolha Informacional: por uma Consciência Crítica no regime da Informação
domingo, 17 de novembro de 2024
O Ambiente de Trabalho Tóxico em Instituições Públicas: reflexões filosóficas e a contribuição da Ciência Política
O ambiente de trabalho tóxico é uma problemática de grande relevância nas instituições públicas, pois, além de impactar diretamente os servidores, afeta a eficiência e a legitimidade do serviço público perante a sociedade. Esse fenômeno pode ser compreendido a partir de uma análise interdisciplinar que une conceitos filosóficos, políticos e jurídicos, proporcionando uma visão crítica das causas, das consequências e das possibilidades de superação.
O objetivo deste texto é refletir sobre as causas, consequências e possibilidades de superação desses ambientes. A contribuição da Ciência Política para essa compreensão está na análise crítica das estruturas de poder, da burocracia e da gestão pública, oferecendo uma reflexão sobre como as dinâmicas hierárquicas e a falta de mecanismos participativos podem criar e perpetuar ambientes de trabalho tóxicos, comprometendo os princípios da administração pública e a qualidade do serviço oferecido à sociedade.
Michel Foucault, em Vigiar e Punir (1975), analisa as relações de poder como práticas onipresentes em todas as esferas sociais, incluindo o espaço de trabalho. Nas instituições públicas, a configuração hierárquica e a rigidez normativa intensificam a toxicidade quando o poder é exercido de maneira autoritária ou negligente. Foucault ressalta que dispositivos de controle e vigilância exacerbados despersonalizam os indivíduos, submetendo-os a uma obediência sistemática que inibe a criatividade e a autonomia. Esse cenário encontra eco no conceito de "gaiola de ferro", cunhado por Max Weber em A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo (1905), que descreve a desumanização das relações sob uma burocracia altamente racionalizada e voltada exclusivamente à eficiência.
Norberto Bobbio, em Teoria Geral da Política (2000), destaca a importância da democracia e da participação nas organizações como formas de equilibrar o poder e combater dinâmicas tóxicas. A ausência de mecanismos participativos internos nas instituições públicas reforça estruturas hierárquicas opressivas, perpetuando a desigualdade de poder e desconectando os servidores da gestão. Essa prática compromete tanto o ambiente organizacional quanto a observância dos princípios constitucionais da administração pública, como a legalidade, a impessoalidade, a moralidade, a publicidade e a eficiência, conhecidos como princípios do LIMPE.
Hannah Arendt, em A Condição Humana (1958), oferece um alerta importante ao discutir a ética e a responsabilidade no exercício do poder. A banalização de práticas abusivas em um ambiente tóxico reflete a "banalidade do mal", em que ações prejudiciais se tornam corriqueiras e institucionalizadas. Esse tipo de ambiente não apenas deteriora a moral dos servidores, mas também compromete a qualidade do serviço público e prejudica a confiança do cidadão no Estado.
Do ponto de vista jurídico, Fernando Capez, em Curso de Direito Administrativo (2021), contribui para a discussão ao afirmar que a administração pública deve observar os princípios constitucionais não apenas como preceitos formais, mas como instrumentos para proteger direitos fundamentais e garantir o equilíbrio nas relações de trabalho. Capez sublinha que gestores públicos têm a responsabilidade de implementar práticas que promovam respeito, equidade e transparência, assegurando que o ambiente laboral seja compatível com os valores republicanos e democráticos.
A superação de ambientes de trabalho tóxicos em instituições públicas exige, portanto, uma abordagem interdisciplinar que combine os elementos estruturais da burocracia, os aspectos éticos das relações humanas e os fundamentos jurídicos da administração pública. A implementação de uma gestão participativa, humanizada e orientada por princípios constitucionais é fundamental para transformar essas instituições em espaços de trabalho mais justos e eficientes.
Referências
ARENDT, Hannah. A Condição Humana. São Paulo: Forense Universitária, 1958.
BOBBIO, Norberto. Teoria Geral da Política. Rio de Janeiro: Edições 70, 2000.
CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Administrativo. São Paulo: Saraiva, 2021.
FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir. Petrópolis: Vozes, 1975.
WEBER, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
Crédito: Manoel Serafim, graduado em Letras e Filosofia (UFC), especialista em Ciências Políticas. Articulista e escritor, Membro do Conselho da Comunidade de Fortaleza (CCF), do Poder Judiciário/Comarca de Fortaleza, Membro da Academia de Letras Capistrano de Abreu, com dedicação a temas como Semiótica Discursiva. Análise do Discurso Francesa, Ciências Políticas análise política, Teoria Geral do Estado, Aconselhamento Filosófico, Estoicismo, Existencialismo.
sábado, 2 de setembro de 2023
Do rádio eu conto
O rádio relógio, um modesto artefato em sua concepção, transfigurou-se em uma presença constante em meu lar durante uma década de minha infância. Era um daqueles objetos que se mesclava discretamente com o ambiente, em contraste com os aparelhos eletrônicos modernos que começavam a invadir nossa casa.
Recordo-me das noites silenciosas, quando todos já se entregavam ao sono, exceto eu e o rádio. Era nesses momentos furtivos que ele se tornava meu confidente. Sussurrava-me histórias e melodias que penetravam em minha mente como segredos revelados em murmúrios. Naquela época, eu não compreendia plenamente a preciosidade daquilo, mas intuía sua singularidade.
O rádio relógio constituía minha janela para o vasto mundo. Transportava-me a terras longínquas, narrando aventuras magníficas, trazendo notícias de lugares remotos e inundando meu coração de emoções com suas músicas. Eu o abracei como um amigo íntimo, um confidente que guardava minhas alegrias e tristezas.
No entanto, à medida que o tem o tempo prosseguia, comecei a perceber o quanto as coisas materiais eram meras construções sociais. A sociedade emprestava a esses objetos significados que transcendiam sua existência física. Eu, ingênuo, estava preso nesse ciclo de apegos.
Com a perspectiva do tempo, tornou-se evidente como o capitalismo perpetua essa espiral de acumulação desenfreada. A ideia de que a posse de mais bens materiais nos conduzirá a uma felicidade duradoura é uma ilusão perigosa. O rádio relógio se tornou uma recordação vívida de como podemos nos vincular a coisas que, ao fim e ao cabo, são efêmeras.
O tempo inexoravelmente passou, meu rádio se desfez, tal como infância transformou-se em memórias. Hoje, reconheço que a verdadeira riqueza reside nas experiências compartilhadas, nos momentos preciosos vividos com aqueles que amamos, e na sabedoria adquirida ao longo da jornada da vida.
Ao refletir sobre aquele humilde objeto músical, não o percebo como uma relíquia valiosa em si mesma, mas como um símbolo das armadilhas do apego material. A vida é moldada por valores construídos socialmente, mas nosso caminho se torna mais significativo quando questionamos esses valores e buscamos uma compreensão mais profunda do que é genuinamente essencial. O rádio, que outrora ecoava melodias em meu quarto, agora ecoa como um lembrete sutil da efemeridade das coisas e da importância de se libertar das amarras do materialismo vazio.
quarta-feira, 9 de agosto de 2023
As aventuras de Kito
quinta-feira, 3 de agosto de 2023
Marxismo: inimigo do Capitalismo e suas Implicações Sociais
O marxismo, uma teoria política e econômica forjada
por Karl Marx e Friedrich Engels no século XIX, é amplamente reconhecido como
um dos mais notáveis adversários do sistema capitalista. Sua análise incisiva
das desigualdades e contradições inerentes ao capitalismo questionou
profundamente os fundamentos da sociedade e propôs uma visão alternativa
radical para a organização econômica e social. No cerne do marxismo encontra-se
uma crítica fundamental à exploração do trabalho humano pelo capital. Marx
sustentou que no seio do sistema capitalista, os trabalhadores (proletariado)
cedem sua força de trabalho aos proprietários dos meios de produção (burguesia)
em troca de salários. Esses detentores do capital, buscando maximizar os
lucros, extraem um valor superior do trabalho dos trabalhadores em relação ao
que pagam em salários, resultando em uma discrepância entre o valor criado
pelos trabalhadores e a remuneração recebida. Essa discrepância, denominada
mais-valia, constitui a essência da exploração capitalista.
Um dos mais notáveis aportes do marxismo é sua análise sobre a alienação. Marx argumentou que no contexto capitalista, os trabalhadores se alienam tanto de seu próprio labor quanto do produto, visto que lhes falta o controle sobre o processo de produção e estão separados dos frutos de seu trabalho. Esse distanciamento gera sentimentos de desprendimento, impotência e falta de realização, minando a conexão humana com o trabalho e com outros indivíduos. O marxismo também se debruçou sobre a concentração de riqueza e poder nas mãos de uma minoria, fator que desencadeia profundas desigualdades socioeconômicas. Marx previu que o capitalismo, dada sua natureza competitiva, culminaria na centralização do capital e na emergência de monopólios, agravando a exploração e corroendo a democracia. Intitulado como "o maior inimigo do capitalismo", o marxismo propugnou por uma transformação drástica da sociedade em direção ao socialismo e, em última instância, ao comunismo. No sistema socialista, os meios de produção seriam coletivamente possuídos pela sociedade, eliminando a exploração e possibilitando um controle mais democrático da economia. No comunismo, a sociedade almejaria um estágio de plena igualdade, abolindo a propriedade privada, eliminando as classes sociais e assegurando que cada indivíduo contribua e receba conforme suas necessidades.
Apesar de ter exercido influência sobre movimentos sociais e políticos ao redor do globo, o marxismo também enfrentou consideráveis críticas e desafios. Algumas delas destacam a falta de consideração pela complexidade da natureza humana, bem como pelas intricadas dinâmicas econômicas e sociais. Ademais, a implementação prática do marxismo em determinadas sociedades gerou controvérsias e suscitou questionamentos sobre liberdades individuais e direitos humanos.
Em última análise, o marxismo permanece como uma das
teorias mais impactantes a desafiar os pilares do capitalismo, estimulando
reflexões sobre alternativas socioeconômicas. Seja considerado como um
antagonista declarado ao capitalismo ou como uma fonte inspiradora de mudanças
sociais, o marxismo perdura como influente protagonista das discussões acerca
de justiça, igualdade e da própria natureza da economia em nossa sociedade.
O sistema capitalista, que forma a base econômica de muitas sociedades, não é apenas uma estrutura de produção e comércio, mas também um sistema que influencia profundamente questões sociais e humanas. Neste contexto, os proprietários dos meios de produção, os capitalistas, desempenham um papel central. Sua missão é alocar recursos, investir capital e empregar trabalhadores com o objetivo de maximizar os lucros. Entretanto, essa busca implacável pelo lucro pode resultar em consequências sociais abrangentes, incluindo exclusão, violência e um sistema prisional sobrecarregado. Um dos pilares do capitalismo é o acúmulo incessante de capital pelos capitalistas. Essa acumulação muitas vezes leva à concentração de riqueza em mãos de poucos, gerando profundas desigualdades socioeconômicas. À medida que a lacuna entre os ricos e os pobres se amplia, ocorre uma distribuição desigual de recursos e oportunidades, o que contribui diretamente para a exclusão social.
A busca incessante por lucro também fomenta uma cultura de competição e individualismo. Enquanto os indivíduos são incentivados a buscar o sucesso pessoal, as relações sociais muitas vezes são reduzidas a transações econômicas. Esse enfoque excessivo no individualismo pode levar à alienação social e agravar o risco de exclusão e marginalização. A exclusão social é agravada pela exploração de grupos vulneráveis, à medida que as empresas buscam cortar custos para maximizar seus lucros. Redução de salários, empregos precários e falta de benefícios são frequentemente resultados dessa busca por lucro, resultando na marginalização de trabalhadores e na criação de uma classe de pessoas lutando para atender às necessidades básicas. A exclusão social, por sua vez, alimenta a pobreza, o desemprego e a falta de acesso a serviços essenciais.
Além disso, a desigualdade econômica e a exclusão social podem gerar um ambiente propício para a violência. A falta de oportunidades e perspectivas, juntamente com a sensação de injustiça, pode levar à frustração e ao conflito. A criminalização de comportamentos frequentemente associados à pobreza pode aumentar ainda mais a população carcerária. O sistema prisional, muitas vezes, reflete e amplifica as desigualdades sociais, perpetuando um ciclo de exclusão e reincidência.
Em conclusão, o sistema capitalista, com seu foco na busca de lucro pelos capitalistas, pode gerar uma série de consequências sociais negativas. O acúmulo de capital, a ênfase no individualismo, a exclusão social e a violência estão interconectados nesse contexto. Para mitigar esses problemas, é crucial considerar abordagens econômicas e sociais alternativas que priorizem a equidade na distribuição de recursos, valorizem o bem-estar coletivo e forneçam oportunidades acessíveis para todos os membros da sociedade.
O Papel do Estado Constitucionalista na Implementação das Políticas Capitalistas e Controle Social
O estado constitucionalista desempenha um papel
fundamental na implementação das políticas capitalistas e no exercício do
controle social. O equilíbrio entre a promoção da atividade econômica e a
proteção dos direitos individuais e coletivos é uma característica central
desse modelo de Estado, permitindo que as políticas capitalistas se desenvolvam
dentro de um quadro legal e regulatório, ao mesmo tempo em que se busca evitar
excessos e desigualdades prejudiciais. O estado constitucionalista, por meio de
sua estrutura legal e institucional, busca criar um ambiente favorável ao
desenvolvimento das políticas capitalistas. Isso envolve a proteção dos
direitos de propriedade, a garantia de um ambiente de negócios estável e a
promoção da concorrência saudável. Ao estabelecer regras claras e justas, o
Estado cria as condições necessárias para que as empresas prosperem, inovem e
contribuam para o crescimento econômico.
Enquanto promove políticas capitalistas, o estado
constitucionalista também se empenha em proteger os direitos individuais e
coletivos. Isso inclui garantir que os trabalhadores tenham direitos laborais
adequados, proteger os consumidores de práticas enganosas e assegurar que os
setores vulneráveis da sociedade não sejam explorados. Esse equilíbrio é
essencial para evitar abusos por parte das empresas e para criar uma sociedade
mais justa. O Estado exerce um papel vital no controle social, monitorando e
regulando as atividades econômicas para prevenir abusos e garantir que elas
estejam alinhadas com os interesses da sociedade. Isso inclui a aplicação de
leis antitruste para evitar monopólios prejudiciais à concorrência, a imposição
de regulamentações ambientais para proteger os recursos naturais e a
implementação de normas de segurança no local de trabalho para salvaguardar os
direitos dos trabalhadores.
Também busca encontrar um equilíbrio delicado entre a
promoção das políticas capitalistas e a garantia da justiça social. Isso
significa que, enquanto permite a busca do lucro e a atividade econômica, o
Estado também trabalha para evitar desigualdades extremas e assegurar que os
benefícios do sistema cheguem a todos os estratos da sociedade.
Em resumo, o estado constitucionalista desempenha um
papel crucial na implementação das políticas capitalistas e no controle social.
Ele cria um ambiente legal e regulatório que favorece a atividade econômica,
protege os direitos individuais e coletivos e assegura que a busca pelo lucro
esteja alinhada com o “bem-estar” da sociedade.
Por Manoel Serafim
Filósofo
Esp. em Ciências Políticas
Membro da Academia de Letras Capistrano de Abreu
segunda-feira, 3 de julho de 2023
Coração valente
quinta-feira, 29 de junho de 2023
Ética em ambiente virtual corporativo
terça-feira, 20 de junho de 2023
Os ideais nazistas não morreram: foram internalizados por ações de homens de poder nas esferas administrativas públicas e privadas
Os ideais nazistas, infelizmente, não foram completamente
erradicados após a Segunda Guerra Mundial. Acredita-se que eles ainda encontram
espaço em diferentes esferas, incluindo as gestões empresariais. Essa conexão
pode ser observada em movimentos neonazistas contemporâneos, como também em
características semelhantes às de psicopatas presentes nas administrações
corporativas.
Os ideais nazistas continuam a influenciar indivíduos que ocupam posições de poder, tanto no âmbito público quanto no privado. A sua internalização pode ocorrer de forma sutil, mas suas consequências são alarmantes. O Brasil ainda é um grande reduto do movimento nazista. Segundo a ONG Observatório do Terceiro Setor, existem mais 530 nucleos extremistas, cerca de 10 mil pessoas operando. A sensação de impunidade fez disparar o movimento nazista no país, cerca 270% em três anos. Os recentes ataques a escolas no Brasil são fruto deste movimento de extremistas.
Os movimentos neonazistas e o integralismo brasileiro são exemplos
de grupos que propagam tais ideais e buscam infiltrar-se nas estruturas
empresariais para disseminar a intolerância, a supremacia racial e outras
formas de discriminação.
Traços de condutopatas, como a falta de empatia, a manipulação e a
busca por poder a qualquer custo, podem ser identificadas em algumas gestões
públicas e privadas. Essas características refletem uma herança indireta dos
ideais nazistas e podem resultar em práticas abusivas e discriminatórias no
ambiente de trabalho. Empresas com influências nazistas
podem adotar políticas de contratação e promoção enviesadas, favorecendo
indivíduos alinhados aos padrões discriminatórios estabelecidos pelos
movimentos extremistas. Isso perpetua a exclusão de minorias, prejudicando a
diversidade e a igualdade de oportunidades.
A manipulação ideológica também é uma estratégia comum em gestões
empresariais permeadas por ideais nazistas. Discursos de ódio, grupos
discriminatórios e estímulo à intolerância são utilizados para fomentar um
ambiente hostil e tóxico dentro das organizações.
De forma bem delineada, a cultura organizacional privilegia a presença
de gestores com simpatia ou afinidades nazistas, permitindo a manifestação de
comportamentos discriminatórios e autoritários. Isso cria um clima de
desrespeito e opressão, prejudicando o bem-estar dos colaboradores. Tais ações, além de afetar a saúde mental dos servidores/funcionários,
a discriminação e o autoritarismo prejudicam a colaboração, a criatividade e a
produtividade.
É crucial que a sociedade esteja atenta a essas questões e
engaje-se na promoção da conscientização e do combate a qualquer forma de
ideologia discriminatória nas gestões empresariais. É necessário programar
políticas de diversidade, inclusão e respeito, além de encorajar denúncias de
comportamentos inadequados para garantir um ambiente de trabalho saudável e
livre de preconceitos.
Embora os ideais nazistas tenham sido oficialmente derrotados, sua
influência persiste em movimentos extremistas e traços psicóticos encontrados
em algumas gestões empresariais. Reconhecer e combater essas ações são fundamentais
para garantir um ambiente de trabalho inclusivo, respeitoso e livre de
discriminação. A promoção da conscientização e a implementação de políticas
adequadas são passos necessários para mitigar os efeitos prejudiciais dessas
ideologias e construir um futuro mais igualitário e justo.
Manoel
Serafim
Filósofo
Especialista
em Ciências política
Membro da
Academia de Letras Capistrano de Abreu
domingo, 18 de junho de 2023
A Filosofia do Sistema Penitenciário: entre o Panoptismo e as Críticas contemporâneas
Manoel Serafim
Filósofo e Especialista em Ciências Políticas
O sistema penitenciário é um tema complexo que reflete diferentes abordagens teóricas e políticas, envolvendo aspectos históricos, filosóficos e sociais. Este artigo discute a visão panóptica de Jeremy Bentham e a crítica de Michel Foucault ao sistema de punição e vigilância, destacando sua relevância no contexto do Brasil contemporâneo.
O Panoptismo de Jeremy Bentham e a Filosofia Iluminista
Jeremy Bentham, filósofo iluminista inglês do século XVIII, concebeu o conceito de panóptico como uma solução arquitetônica e social para o controle carcerário. O panóptico é projetado para permitir a vigilância constante dos detentos por meio de uma torre central, de onde os guardas podem observar sem serem vistos. Essa estrutura cria um estado de vigilância permanente, no qual os detentos, sem saberem quando estão sendo monitorados, internalizam as normas sociais, o que visa inibir comportamentos indesejados e promover a disciplina.
No contexto iluminista, a punição deveria ser proporcional ao delito, fundamentada na reparação do dano e na dissuasão de futuros crimes. Essa perspectiva de justiça retributiva, ainda presente no sistema penal moderno, combina-se com o utilitarismo de Bentham, que busca maximizar o bem-estar coletivo e minimizar o sofrimento. No campo penal, o utilitarismo justifica a punição como meio de proteger a sociedade, prevenir crimes e promover a utilidade social.
Foucault e a Crítica ao Sistema Disciplinar
No livro Vigiar e Punir (1975), Michel Foucault analisa a história da punição e a evolução dos mecanismos de controle social, destacando a transição de métodos físicos de tortura para sistemas baseados na disciplina e vigilância. Inspirado pelo conceito de Bentham, Foucault introduz a noção de "sociedade disciplinar", onde instituições como prisões, escolas e hospitais desempenham um papel central na formação de sujeitos obedientes.
Foucault argumenta que o sistema penitenciário não se limita à reabilitação, mas perpetua relações desiguais de poder. Ele critica a prisão como instrumento de controle social e sugere alternativas ao encarceramento, como políticas de prevenção e reabilitação que promovam a reintegração social.
O Sistema Penitenciário Brasileiro: Entre a Teoria e a Realidade
No Brasil, o sistema penitenciário reflete uma combinação das filosofias iluminista e utilitarista, mas enfrenta desafios estruturais que comprometem sua eficácia. Desde a criação da Casa de Correção, em 1834, o país adota princípios inspirados no modelo panóptico, com resultados insatisfatórios. O sistema é marcado por superlotação, violência, e condições precárias, o que o torna incapaz de ressocializar os detentos.
Além disso, o crescimento acelerado da população carcerária brasileira – o maior do mundo – evidencia a falência de políticas públicas focadas nos efeitos, e não nas causas do crime, como desigualdade social, falta de oportunidades e ausência de programas efetivos de reabilitação.
Conclusão
A perpetuação do modelo penitenciário vigente demonstra que o problema do crime no Brasil é antes de tudo político, e não apenas criminal. A solução exige um redirecionamento das políticas públicas para atacar as causas estruturais da violência e implementar estratégias que promovam prevenção, reabilitação e reintegração social.
Até quando o Brasil continuará apostando em um sistema que não apenas falha em resolver o problema, mas também alimenta o ciclo de desigualdade e violência? A resposta está em reconhecer que o debate sobre o sistema penitenciário não é meramente técnico, mas profundamente político e social.
sexta-feira, 16 de junho de 2023
Brasil: uma democracia em frangalhos
Na Grécia Antiga, o governo democrático surgiu
como uma forma de lidar com os conflitos sociais, estabelecendo tribunais e
instituições públicas para tomar decisões. Isso separou o poder político das
autoridades tradicionais, como o chefe de família, chefe militar e chefe
religioso. Aristóteles observou a divisão social entre ricos e pobres e
defendeu a justiça distributiva e participativa como elementos essenciais de
uma sociedade justa.
No contexto atual, as sociedades
modernas apresentam desigualdades semelhantes às observadas por Aristóteles. O
Brasil, em particular, é um país historicamente desigual, com uma elite
insensível aos problemas sociais. A concentração de poder político e econômico
nas mãos de uma minoria conservadora é apontada como um entrave ao
desenvolvimento nacional. Para reduzir essa desigualdade, é necessário um pacto
social entre a elite política e econômica, a fim de superar visões coloniais e
reprodução de valores ideológicos que perpetuam o poder nas mãos de poucos.
A participação política é
essencial para o desenvolvimento econômico e social, porém, nas sociedades
periféricas como o Brasil, o controle dos grandes capitais dificulta essa
participação. É defendido que a sociedade busque representantes comprometidos
em diminuir a desigualdade social e econômica, rompendo com o establishment
político e econômico. Um Estado Progressista e Social de Direito é proposto
como uma forma de assegurar o bem-estar e um futuro melhor para os cidadãos,
promovendo o Estado providência e previdência.
Manoel Serafim
Filósofo
Especialista em Ciências Políticas
quarta-feira, 7 de junho de 2023
O que é, e por que precisamos saber...
A Ciência Política busca compreender e analisar as dinâmicas do poder, do governo e da tomada de decisões em sociedades humanas. Por toda a história, autores clássicos, medievais, modernos e contemporâneos têm contribuído para a formação e o desenvolvimento dessa área de estudo. Neste texto, exploraremos a ideologia desses principais autores em cada período.
No período clássico, destacam-se filósofos como Platão e Aristóteles. Platão, em sua obra "A República", defendia a ideia de um Estado ideal, no qual o governante seria um filósofo-rei, capaz de conduzir a sociedade em direção ao bem comum. Aristóteles, por sua vez, enfatizava a importância do Estado como uma comunidade política que visava o bem-estar dos cidadãos. Para ele, a virtude política era essencial para a boa governança. Na Idade Média, um importante autor é Santo Tomás de Aquino, cuja obra "A Suma Teológica" abordava a relação entre a fé e a razão. Aquino defendia a ideia de que o poder político deveria estar submetido à moralidade e à lei natural, e que o governante tinha a responsabilidade de promover o bem comum e proteger a justiça. No período moderno, o filósofo inglês Thomas Hobbes se destacou com sua obra "Leviatã". Hobbes acreditava que o ser humano era essencialmente egoísta e que o Estado deveria ser forte e centralizado, para evitar o caos e a guerra de todos contra todos. Ele defendia a soberania absoluta do governante como forma de garantir a ordem social.
Já no contexto contemporâneo, temos pensadores como John Locke e Karl Marx. Locke, em sua obra "Segundo Tratado sobre o Governo Civil", defendia a ideia de que o poder político deveria ser limitado e que os direitos naturais dos indivíduos, como vida, liberdade e propriedade, deveriam ser protegidos pelo Estado. Ele também enfatizava a importância do consentimento dos governados. Por sua vez, Marx, em sua obra "O Manifesto Comunista", analisava a sociedade a partir da luta de classes entre a burguesia e o proletariado. Ele acreditava que a política era uma expressão das relações de poder econômico e que a transformação social só seria alcançada com a superação do sistema capitalista.
Em resumo, a Ciência Política se baseia nas contribuições de diversos autores ao longo da história. Desde os clássicos, que buscavam o bem comum e a virtude política, passando pelos medievais, que relacionavam política e moralidade, até os modernos e contemporâneos, que exploraram questões como o contrato social e a luta de classes. O estudo dessas ideologias é fundamental para compreendermos as diferentes perspectivas sobre o poder e o governo, e para refletirmos sobre os desafios e possibilidades da política em nossa sociedade atual.
Manoel Serafim
Especialista em Ciências Políticas
Filósofo
sábado, 27 de maio de 2023
Bolsonaro e Collor: duas faces da política da crise
quinta-feira, 20 de abril de 2023
O capital pós-moderno
segunda-feira, 17 de abril de 2023
Sindicato e a panela de pressão: uma analogia perfeita
sábado, 15 de abril de 2023
Política e internet
segunda-feira, 27 de março de 2023
A visão ética da Idade Média e Renascimento, em Santo Agostinho e Pico Della Mirandola
A consciência moral proposta pelo filósofo
cristão Santo Agostinho - Agostinho de Hipona (354-430 d.C.) - está ligado
diretamente à separação do homem pecador de Deus supremo, e essa conexão se
fará através da graça divina. Santo Agostinho propõe para sua teoria filosófica
uma releitura de Platão, e cria o conceito de livre-arbítrio com três conceitos-chave.
O autor estabelece: o Mal físico, por meio de doenças, pragas; o Mal
metafísico, cometido por limitações da condição humana, e o Mal moral, fruto do
mal de nossas escolhas erradas.
Desta forma, o homem tem consciência sobre
seus atos e escolhas, porém essas escolhas devem aproximar o homem de Deus.
Portanto, para exercer o bem, o homem tem duas condições: a graças de Deus e o
livre-arbítrio. Sem graça não há o bem; sem o livre-arbítrio não seria possível
à escolha do bem. Assim, Deus dá à graça e a possibilidade de o homem ser bom,
através de ações pautadas na escolha da fé.
Por outro lado, o pensamento filosófico do
Renascimento tem estabelecido outros parâmetros éticos e morais do ser
humano. O homem é definido como meio de
equilíbrio de todas as coisas. Com essa visão, para o brilhante jovem
renascentista Pico Della Mirandola (1463-1494), o homem, na criação divina e
sua queda pelo pecado, tem adquirido dignidade através do exercício do
livre-arbítrio. Portanto, para esse pensador, deveria ser estabelecida uma nova
ordem na fé cristã, a qual deveria dar maior expoente na capacidade
intelectualista do homem. Neste sentido
e sem negar a fé, existe maior diferença entre a Ética da Idade Média, na qual
o ser ético - este totalmente alinhado ao ser divino, aos dogmas, - com o que é
colocado na visão renascentista. Na
visão de Pico Della Mirandola, a liberdade do homem, com o poder de escolha,
estabeleceu-se maior independência do homem ao poder religioso.
O tema proposto neste ensaio se encontra
diretamente ligado aos preceitos filosóficos e morais da Idade Média (V e XV) e
ao período do Renascimento cultural, século XIV e o fim do século XVI.
Abordaremos duas charges THAVES, Bob. Frank & Ernest, e Calvin e Haroldo: e
foi assim que tudo começou, em que são discutidos: a consciência moral e
autonomia para deliberação. Na primeira tirinha em que um interlocutor
perguntou ao outro se este segue sua consciência moral, e obtendo como
resposta: Não...meu senso moral tem um seletor de chamadas...podemos dizer,
dentre outras possibilidades, que a voz da consciência cede lugar às variadas
possibilidades de escolhas e liberdades do homem renascentista.
Na segunda tirinha, em que há questionamentos
sobre a crença no destino e na predestinação da vida humana, há também uma
satirização sobre a condição humana colocar por Deus. Isto é, na visão
cristão-medieval o homem teve seu destino já determinado por Deus e só a graças
deve mudar isso. Dessa maneira, o cristianismo medieval pressupõe que o erro é
parte da natureza humana em decorrência do caráter imperfeito da própria
vontade humana. E para resolver esse problema, a Filosofia Medieval recorreu à
fé como resposta central: Deus, em sua misericórdia, prometeu dar a redenção
aos homens por meio de Cristo, para salvá-los de sua condição maculada.
Por fim, tais reflexões sobre Ética e Moral
no período Medieval e Renascimento, colocam-se como ponto de inflexão de um
novo momento de ordem e de pensamento filosófico, com as visões focadas no
homem neste período de transição. Esse novo olhar deve seguir de pano de fundo
para as mudanças mais profundas com o advento do Iluminismo.
terça-feira, 21 de março de 2023
Direitos Humanos para quê?
Afinal, Direitos Humanos para quê? Qual a relação desse Direito com o Estado,
Capitalismo, com a Educação, Ética? No Brasil, falar em Direitos Humanos é intempestivamente
falar em Direitos para pessoas que cometeram crimes, é falar de algo totalmente
pejorativo. Abordaremos o assunto com amparo em filósofos e com a ciência
política, cujo lócus terá uma dimensão histórica e, principalmente, filosófica.
O conceito de DH na perspectiva filosófica está alicerçado em princípios os
quais definem a própria condição humana. Para Kant (1980), o homem deve ser
considerado como fim em si mesmo. O homem é um ser cuja existência constitui um
valor absoluto, ou seja, nada do que existe no mundo lhe é superior ou
equivalente. A dignidade é um valor incondicional (ela deve existir
independentemente de qualquer coisa), incomensurável (não se pode medir ou
avaliar sua extensão), insubstituível (nada pode ocupar seu lugar de importância
na nossa vida), e não admite equivalente (ela está acima de qualquer outro
princípio ou ideia).
De um ponto formal, o conceito de DH está
ancorado na CF de 1988, em seu Artigo 5º, caput, que garante a todos os
brasileiros a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à
segurança e à propriedade. No Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), e
no Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH), em 2006, que prevê
uma série de políticas públicas no âmbito educacional. Desta forma, o CNDH e PNEDH são instrumentos
sociais para enfrentamento por busca de Direitos em termo lato sensu, no
sentido de promover a dignidade da pessoa humana.
Eticamente, os direitos humanos devem ser
encarados como fundamento da responsabilidade a priori, sendo reconhecidos como
DH inseparáveis da inviolabilidade da dignidade, indivisibilidade e
universal. Assim, viola-se quando, por
exemplo, deixa-se alguém com fome, sem educação, quando se faz torturas, com
prisões ilegais etc. Outro fator ético muito importante na relação do DH é
indivisibilidade dos direitos e a universalidade, pois não adianta o ser humano
ter direito à educação e não ter direito à comida; não adianta ter direito a
votar e não ter direito de ir à escola; não adianta ter direito a professar sua
fé e ser torturado no outro dia.
Através do racionalismo, a vida humana foi
totalmente transformada por revoluções, de tal sorte que as relações humanas
também foram abaladas. Hodiernamente, conforme sociólogo polonês Zygmunt
Bauman, (1925-2017), vivemos a Sociedade Líquida, sociedade dominada pelas
descrenças absolutas em valores que outrora eram tidos como inquestionáveis e
incomensuráveis. Tal posicionamento tem trazido maior problema para sociedades,
porquanto a própria descrença absoluta no homem, na organização política e com
o poder, de fato abala ainda mais a persecução de efetivar Direitos.
Dentro de uma corrente mais otimista na
relação de poder e da política, o sociólogo estadunidense Talcott Parsons
(1902-1979) defendia que, quanto mais educada uma sociedade for, mais ela terá
condições de se autorregular e evoluir em melhorias e condições sociais.
Acreditamos ser a educação o maior problema de países mais pobres, o que gera
todos os outros. A educação, em sentido geral e continuada, leva a sociedade
para os debates políticos e gera responsabilidade política nos cidadãos.
No caso do Brasil, a política pública
brasileira deve estar alinhada, assim como foram as maiores potência do mundo,
ao Estado Social de Direito, cujos valores estariam no Estado providência,
assegurando o bem-estar da sociedade e em desenvolver laços para assegurar um
bom futuro aos cidadãos e garantir Direitos Humanos.
Por fim, e por considerar o problema do nosso
país ser, antes de quaisquer outro, uma decisão política, ou seja, de políticas
públicas, o Brasil deve decidir para qual lado deve caminhar, seja numa visão
mais conservadora ou menos conservadora em sentido de governança do Estado e,
portanto, na garantia de efetivar Direitos Humanos aos seus cidadãos.
Por Manoel Serafim
Filósofo e escritor
quinta-feira, 2 de março de 2023
O psicopata e sua interface com o poder
O psicopata e sua interface com o poder
Quando se fala em psicopatas normalmente se associa a criminosos terríveis cujas vítimas são mortas de maneira brutal e sem explicação aparente. São geralmente associados a crimes sexuais e contra criança e adolescente. São imagens romantizadas trazidas pelo cinema, pois na realidade, as ações dos indivíduos com condutopatias são mais recorrentes nas atividades de vida social do que imaginamos.
Segundo o professor, escritor e psiquiatra forense Guido Palomba, a psicopatia e seus termos comuns (psicopata, sociopata, e mais como ele mesmo gosta de denominar - condutopata) são pessoas cuja conduta está alheia a valores éticos e morais. Os psicopatas nascem, crescem, desenvolvem-se e morrem assim, sendo incurável e orgânica. Os condutopatas são limítrofes entre o doente mental e a pessoa de conduta normal. Essa área de fronteira, segundo Palomba, é porque, diferente do doente mental, que age com fugir da realidade, o condutopata age com consciência para chegar a seus objetivos.
Outras características dos psicopatas são a ausência de arrependimento, sentir-se superior, normatizador de tudo, criar máscaras sociais, manipuladores, sem piedade, compaixão e altruísmo. São indivíduos híbridos - como os morcegos que têm asas, voam e não são pássaros; têm pelos e não são poríferos -, e são capazes de enganar a muitos.
Nas cadeias sociais, eles são ávidos pelo poder e usam estratégias para pavimentar sua chegada lá. A cadeia de comando é fascinante para eles, são terrivelmente nocivos e aonde chegam causam grandes estragos sociais. Como estratégia de poder, Hitler fundou o nazismo; Mussolini, o fascismo etc. O exemplo da Segunda Guerra, na qual Hitler chegou ao poder e matou mais 58 milhões de pessoas no mundo, é clássico para ilustrar a ação de uma mente psicopata. Eles sempre buscam estratégias para chegar ao poder, e quando chegam, o ônus quem paga é o subordinado, uma vez que, no exercício extremo de sua personificação, querem a perpetuação no poder.
Aqui fazemos um parêntese para dizer que, quando em ação, tanto o sociopata como o Poder tem via de mão dupla, isto é, cada um ganha um pouco na ação. É bem verdade que o Poder, quando lhe convém, adora o psicopata. Vejamos o que fez Hitler!!! Eles são bem-vindos quando há grandes convulsões sociais, políticas e, principalmente, econômica. A fonte principal do Poder é mandar a outrem a execução da ordem, ação, muitas vezes ordens duras e sem compaixão. É justamente aqui que ele pode contar com a figura do psicopata, justamente aquele que vai agir a rigor, sem medo de ser feliz e sem se preocupar com valores éticos e morais. Nesse jogo de peso e contrapeso, ora a Estado/Corporação ganha com ações duras sobre seus dominados, ora o psicopata ganha fazendo seus desejos mais intimistas. É possível que nas escolhas de chefias e lideranças de instituições/empresas, determinadas características sejam levadas em conta para escolher lideranças.
Ao final desta pequena exposição, será possível identificar facilmente um psicopata ou condutopata … A resposta, segundo a psiquiatria, é não! Para identificar essas figuras humanas tóxicas é preciso estudar seu histórico de vida e suas ações. A população mundial tem a média de 2% de psicopata, portanto, cuidado, você pode estar ao lado de um psicopata!!!
Por Manoel Serafim
Filósofo, escritor,
Membro da Academia de Letras
Capistrano de Abreu
Especialista em ciência política
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